“... devemos ser mais alentejanos e defendermo-nos mais uns aos outros” O IAPMEI (Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas) distingue anualmente as melhores empresas de todos os setores de atividade com o galardão PME – Excelência. Este ano esse galardão foi atribuído a 1.368 empresas de todo o país, sendo 23 delas do distrito de Évora. Do concelho de Reguengos de Monsaraz apenas as Construções de Monsaraz, Lda. recebeu o galardão, com a particularidade de o alcançar por dois anos consecutivos e num setor de atividade (construção civil) que se encontra claramente em declínio. Motivos, mais que suficientes para justificarem uma conversa com os sócios da empresa. Apesar da profunda crise que se instalou no setor imobiliário em Portugal, a empresa Construções Monsaraz Lda. é distinguida, por dois anos consecutivos, com o galardão PME – Excelência atribuído pelo IAPMEI. Qual é o segredo do vosso sucesso? O segredo é o trabalho constante e o envolvimento de todos no objectivo de tentar melhorar todos os dias. E também, e sobretudo, a qualidade do nosso trabalho, traduzida na competência e no empenho que empregamos em cada obra, desde a primeira reunião com o cliente até à data da sua conclusão. Que importância tem esta distinção para a vida da empresa? É uma distinção muito importante, que premeia o esforço da empresa em tentar estar sempre atualizada e em constante renovação em várias frentes, nomeadamente no que respeita a medidas de gestão. E revela-se agora ainda mais importante por sermos distinguidos numa fase em que o nosso setor está claramente em fase descendente, com os piores indicadores das últimas décadas. Na história da empresa qual foi o momento mais negativo (o que trouxe maior tristeza e preocupação)? Os momentos mais negativos são sempre os de incerteza em relação ao futuro. Como facilmente se pode entender temos uma responsabilidade social e económica de relevância no nosso concelho, e a incerteza do que os tempos futuros nos reservam é, como é óbvio, um motivo de preocupação constante. Preocupação mas nunca de tristeza, porque temos a tranquilidade do dever cumprido, a certeza de que o que depende de nós está a ser feito. E qual o mais positivo? Não conseguimos indicar um só. São todas as pequenas vitórias que nos conduziram até aqui. Todas as propostas aceites pelos clientes, todas as obras concluídas com maior ou menor esforço, e obviamente o reconhecimento do nosso trabalho, seja pelo IAPMEI, seja pelos nossos clientes. Quais são os empreendimentos mais emblemáticos construídos pelas Construções Monsaraz? Em todos estes anos já são alguns, que podemos destacar por ordem cronológica: A Horta da Moura, o Monte do Pintor, as Caixas de Crédito Agrícola de Estremoz e de Reguengos de Monsaraz, a Adega do Engº João Portugal Ramos e a Adega da Quinta do Carmo em Estremoz, o Edifício da Modernização Tecnológica da CARMIM, a remodelação do Antigo Hospital da Misericórdia da Santa Casa da Misericórdia de Reguengos de Monsaraz, o Edifício sede do Parque Solar da Amareleja e, recentemente, a Unidade de Saúde Inácio Coelho Perdigão aqui em Reguengos e tantos outros que seria exaustivo descrever. Quais são os grandes projetos que neste momento estão a ser construídos pela empresa? Neste momento estamos a fazer a nossa maior obra de sempre, uma unidade Hoteleira tipo Ecoresort em Évora, constituída por um Edifício Central e 56 módulos independentes, propriedade da empresa Tapada da Mata, Investimentos Hoteleiros, Lda. Estamos também a concluir mais uma Adega em Estremoz para a empresa Tiago Cabaço Wines, um projeto muito diferente do habitual. Iniciámos, ainda recentemente, a nova Unidade Oficial da Rodoviária do Alentejo em Évora, e já temos algumas adjudicações para este ano de 2012 como por exemplo as novas instalações da empresa Tiago Morgado, Lda, também em Évora. Em sua opinião que medidas deviam ser tomadas para vencer esta crise do setor imobiliário? Na nossa modesta opinião o país necessita em primeiro lugar de ganhar credibilidade, só depois disso podemos esperar que as instituições bancárias possam novamente apoiar os investidores, para que os projetos possam voltar a surgir. Depois, e dentro da conjuntura atual que todos tão bem conhecemos, temos a perceção óbvia de que infelizmente este ano de 2012 vai ser de muito sacrifício para todos, mas não vemos outra forma de andar para a frente. No que respeita ao nosso Alentejo, e particularmente à nossa zona, defendemos que passe a existir, de uma vez por todas, um critério de adjudicação de obras que valorize e dê preferência às empresas de cá, que são aquelas que pagam cá impostos, que empregam pessoas de cá e que tantas vezes, por serem o único suporte que permite a sobrevivência de muitas das famílias aqui à volta, acabam por adquirir uma responsabilidade social bastante pesada e relevante. E por isso perguntamos, não devem as empresas de cá ser valorizadas por isto? Devemos ser unidos porque todas as obras que forem adjudicadas a empresas de fora do Alentejo é energia que perdemos. O que contribuem essas empresas que vêm de fora para os que cá estão? Quantos postos de trabalho cá criam? Que impostos pagam cá? Que valor reinvestem cá à posteriori? E quantas delas para poderem ganhar concursos com preços impraticáveis, apresentam no fim (se conseguirem lá chegar) um trabalho de qualidade, que não obrigue a gastos supérfluos por vezes pouquíssimo tempo depois das obras estarem concluídas? Na nossa opinião devemos ser mais “Alentejanos” e defendermo-nos mais uns aos outros. Quais os objetivos que a empresa pretende alcançar no futuro próximo? Os objetivos são manter a empresa estável, conseguir manter os cerca de 70 postos de trabalho criados diretamente por nós e poder continuar a dar trabalho indiretamente a todos os que connosco trabalham. Temos alguns projetos imobiliários em Évora e em Reguengos que aguardam por algum sinal de retoma da economia, e que são para avançar. Será com muito esforço que vamos ultrapassar os obstáculos, mas com trabalho, dedicação, qualidade, competência, transparência, e muita perseverança, tudo valores em que acreditamos e que nos acompanham ao longo destes já muitos anos de atividade, com certeza que conseguiremos vencer estes tempos de crise ruinosa para onde nos atiraram e de onde, para sairmos, dependemos também de nós próprios e do nosso trabalho. |